Há décadas o futebol brasileiro produz talentos que rendem gols, títulos e glórias ao Real Madrid. Porém, os papéis podem se inverter em breve.
O meia Bryan Bugarín, joia da base do clube espanhol de apenas 17 anos, é monitorado pela CBF, que avalia a possibilidade de uma convocação futura para a Seleção.
Nascido e criado na Espanha, Bryan visitou o Brasil apenas uma vez, ainda quando era bebê. Mas nem por isso deixou de criar laços com o País.
Filho de mãe brasileira, ele é fã de picanha, gosta de feijão e coxinha, e tem alguns craques brasileiros como maiores ídolos: Vini Jr, Rodrygo e Neymar.
A possibilidade de defender a Seleção surgiu no ano passado, após o garoto obter a cidadania brasileira. O fato de ele já ter jogado pelo time sub-15 da Espanha não o impede de vestir a amarelinha.
– Eu gostaria que ele fosse para a seleção brasileira. Já o meu marido quer menos, porque ele é espanhol (risos). Não sei... Como ele nunca provou a seleção brasileira, a gente não sabe. Vai que ele é convocado e gosta – disse Gisele Gonçalves, mãe de Bryan, em entrevista ao ge.
Desde o ano passado, quando Samir Xaud assumiu a presidência da CBF, a entidade passou a intensificar o acompanhamento de jovens com nacionalidade brasileira no exterior.
Nas competições de base fora do Brasil, um observador costuma integrar a delegação com o objetivo de garimpar talentos que possam servir à seleção brasileira.
A família de Bryan recebeu a informação que um "scout" da CBF irá à Espanha em breve acompanhar o jovem meia. Atualmente, ele defende o Juvenil B do Real Madrid.
– A seleção é um sonho, algo que, se der tudo certo, seria um orgulho para nós – comenta Gisele.
Bryan começou a trajetória no futebol no Celta de Vigo, aos nove anos. Três temporadas depois, foi contratado pelo Real Madrid e se mudou da Galícia para a capital espanhola. No início deste ano, ele assinou o primeiro vínculo profissional com o clube merengue. O garoto também tem contrato de fornecimento de material esportivo com a Nike.
Quando um jogador tem dupla cidadania, ele está apto a defender qualquer um dos dois países que tem passaporte. A regra da Fifa não limita a troca de federação nas categorias de base, mas impõe limites a partir da profissionalização.
Um jogador que entrar em campo em grande competição, como por exemplo a Copa do Mundo ou os torneios continentais, não pode mais trocar de seleção. Para jogos oficiais que não sejam referentes a essas competições, porém, há maior flexibilidade para atletas até 21 anos.
Neste caso, o atleta pode atuar em até três partidas em disputas de eliminatórias ou eventuais competições que venham a ser criadas, como era, por exemplo a Copa das Confederações. (Com ge - SP)
