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Esportes

Elenco da Ponte Preta paralisa atividades por falta de pagamento

Jogadores vão ao CT, mas deixam o local sem treinar; em nota, grupo faz fortes críticas à diretoria e diz que os atrasos salariais chegam a seis meses em alguns casos

Conjuntura Online
26/08/26 às 11h45
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Elenco da Ponte deixa o CT sem treinar por causa dos salários atrasados (Foto: Júlio Nascimento)

O elenco da Ponte Preta decidiu paralisar as atividades nesta quarta-feira por causa dos atrasos salariais. Em nota, o grupo classificou como abandono a situação vivida no clube e citou que a paralisação será mantida até a regularização das pendências.

Uma notificação foi entregue ao executivo João Brigatti pelos atletas e também enviada por e mail para a presidência e para o departamento jurídico do clube. A decisão vale para treinos e também para jogos.

A próxima partida da Ponte na Série B está marcada para domingo, contra o América-MG, em Belo Horizonte, mas a diretoria espera evitar o W.O com o uso das categorias de base.

Sem vencer há 18 rodadas, a Ponte amarga a lanterna, com apenas 10 pontos em 24 jogos, e caminha para um rebaixamento que parece inevitável diante do cenário caótico fora de campo.

Um ultimato já tinha sido dado na semana passada, quando os jogadores publicaram que alguns estão sem receber há cerca de seis meses e iam parar o futebol do clube se as pendências não fossem regularizadas até o dia 25 de agosto (última terça-feira).

Sem o pagamento realizado dentro do prazo estipulado, os atletas buscaram respaldo jurídico com os advogados Filipe e Thiago Rino para tomar a decisão.

Eles se reapresentaram no CT do Jardim Eulina, mas deixaram o local sem treinar por volta das 8h50. Quando o vice-presidente Marco Antonio Eberlin chegou, muitos já tinham ido embora. O dirigente determinou que os demais entrassem para uma conversa. Na sequência, o portão foi fechado.

Um comunicado assinado pelos jogadores foi divulgado com fortes críticas à diretoria alvinegra, dizendo que foram abandonados pelo comando do clube, atualmente presidido por Luiz Torrano, com Marco Antonio Eberlin de vice e também diretor de futebol.

Veja a íntegra abaixo:

"Nós, atletas da AA Ponte Preta, comunicamos à diretoria e à imprensa que:

Como é de conhecimento público e geral, da imprensa e torcedores, a maioria de nós atletas não recebemos os últimos meses de salários e direito de imagem, que em alguns casos chegam a 6 meses sem o devido pagamento.

Há ainda uma nuvem de incertezas que pairam sobre nós, eis que a atual diretoria abandonou o dia a dia do clube e, além dos atrasos salariais, estamos sem qualquer satisfação ou garantia.

Nosso sentimento é de abandono!

O § 5º do artigo 90 da Lei Geral do Esporte permite ao atleta profissional paralisar as atividades profissionais, inclusive recursar-se a competir, quando os salários estiverem em atraso por 2(dois) ou mais meses:

Art. 90. - ...

§ 5º - É lícito ao atleta profissional recursar-se a competir por organização esportiva quando seus salários, no todo ou em parte, estiverem atrasados em 2 (dois) ou mais meses.

Esperamos semanas e até meses para tomarmos essa drástica atitude, respeitando a torcida e principalmente a instituição AA Ponte Preta.

Porém, ante o descaso da atual diretoria, considerado como desrespeito a nós atletas, não apenas pelos salários em atraso, mas também pelo abandono da atual gestão, comunicamos que a partir desta quarta-feira, 26/08/206, após encerramento do prazo que estipulamos para a diretoria, suspenderemos as nossas atividades, até a regularização dos nossos pagamentos.

Atenciosamente,

Elenco Profissional de Atletas da AA Ponte Preta".

A data escolhida pelos jogadores para o ultimato tinha relação direta com a Assembleia Geral Extraordinária da última segunda-feira para a votação sobre a mudança para SAF - mas a reunião foi suspensa sem uma definição em meio a um clima tenso, com tumulto entre integrantes da diretoria executiva e oposição.

Havia a expectativa de um aporte financeiro inicial para ajudar na regularização das pendências. Esse valor estaria vinculado à transformação do clube em SAF: caso a operação fosse aprovada futuramente com o grupo interessado, seria considerado uma espécie de adiantamento; se a proposta não avançasse, o dinheiro seria tratado como empréstimo a ser pago pela Ponte.

A diretoria tem uma proposta de R$ 1 bilhão de um grupo interessado em assumir o futebol por meio da SAF. O modelo apresentado prevê R$ 300 milhões para o pagamento de dívidas, R$ 300 milhões de investimento no futebol ao longo de dez anos e outros R$ 400 milhões para a modernização do Moisés Lucarelli e melhorias no CT. (Com ge - Campinas)

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