A decisão de encerrar as operações das bets no Brasil terá efeito também sobre as contas do governo federal. Com o setor fora do mercado, a União pode deixar de arrecadar cerca de R$ 5,25 bilhões apenas entre outubro e dezembro, considerando o ritmo de crescimento das receitas registrado neste ano.
O cálculo é uma estimativa baseada nos dados da Receita Federal e não representa uma projeção oficial.
Entre janeiro e agosto de 2026, empresas enquadradas na atividade de exploração de jogos de azar e apostas recolheram R$ 9,914 bilhões em tributos federais.
O montante representa crescimento real de 69,25% em comparação com os R$ 5,857 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
O desempenho dos primeiros oito meses deste ano já supera toda a arrecadação obtida pelo segmento ao longo do ano passado, mostrando o peso que as plataformas passaram a ter nas receitas tributárias desde a implantação do mercado regulado.
Últimos meses concentram arrecadação
O impacto pode ser maior justamente porque o último trimestre costuma concentrar parcela relevante dos tributos pagos pelo segmento. Em 2025, outubro, novembro e dezembro responderam por aproximadamente 31% de toda a arrecadação anual das empresas classificadas nessa atividade.
Caso o crescimento de 69,25% observado até agosto se repetisse nos últimos três meses deste ano, a arrecadação poderia chegar a aproximadamente R$ 5,25 bilhões no período.
Na média, seriam cerca de R$ 1,75 bilhão por mês em receitas federais relacionadas ao setor. Com o encerramento das operações, parte dessa arrecadação potencial deixa de existir.
O cálculo, entretanto, deve ser visto com cautela. A estimativa pressupõe tanto a manutenção do ritmo de crescimento registrado até agosto quanto a repetição, em 2026, do comportamento observado no fim do ano passado.
Bets começam a sair do ar
A mudança ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinar, na sexta-feira (25), uma MP (Medida Provisória) proibindo a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa e jogos on-line no Brasil.
Desde a publicação da medida, as plataformas ficaram impedidas de receber novos depósitos. Os apostadores terão até as 23h59 de 5 de outubro para retirar voluntariamente o dinheiro disponível nas contas.
A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos deverão deixar de oferecer apostas. Para quem não retirar o saldo dentro do prazo, está prevista a devolução dos valores por intermédio das instituições financeiras que operam com as empresas.
Impacto vai além dos impostos
A saída das bets também pode produzir efeitos em outras áreas da economia. O setor movimenta empresas de tecnologia, publicidade, meios de pagamento e patrocínios esportivos, além de empregar milhares de trabalhadores.
Parte da arrecadação obtida com as apostas também possui destinação prevista para áreas como saúde, educação, segurança pública e esporte. Com a interrupção das atividades, o governo terá de lidar com a perda dessa fonte de recursos.
Apesar do impacto fiscal, o governo sustenta que a arrecadação não deve prevalecer diante dos efeitos sociais atribuídos às apostas. A justificativa para a proibição envolve principalmente o endividamento das famílias e os problemas relacionados à dependência em jogos.
O tamanho efetivo da perda para os cofres públicos, porém, só poderá ser conhecido após o fechamento da arrecadação dos próximos meses.
