O governo Lula trabalha com cenários distintos para as duas sobretaxas anunciadas pelos Estados Unidos nesta semana. Enquanto vê margem para negociar a tarifa de 25% direcionada exclusivamente ao Brasil, o Planalto considera remota a reversão da taxa de 12,5% aplicada a 59 países e à União Europeia.
As duas propostas de sobretaxa aos produtos brasileiros foram anunciadas nesta semana como resultado de investigações realizadas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.
O governo sabe que o cenário também é difícil no caso dos 25%, mas avalia ter mais margem de negociação justamente porque essa tarifa é exclusiva ao Brasil — o que abre espaço para uma tratativa bilateral. Já a sobretaxa de 12,5% atinge 59 países e a União Europeia ao mesmo tempo, o que torna mais complexa uma reversão isolada em favor do Brasil.
Entre os auxiliares do presidente Lula, a aposta é que as negociações cheguem a um bom termo para Brasil e Estados Unidos e, com isso, seja possível evitar — ou ao menos postergar — a aplicação da sobretaxa de 25% até que se alcance uma solução definitiva.
O governo brasileiro deve concentrar a negociação nas questões tarifárias. Há a possibilidade de avançar com algumas propostas ao longo das conversas, mas há também um limite claro: o PIX, como o próprio presidente Lula já defendeu publicamente, está fora de cogitação.
A expectativa é de que a próxima semana traga um passo concreto. Os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, têm prevista para a próxima semana uma videoconferência com Jamieson Greer, chefe do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), para tratar da proposta de tarifas sobre produtos brasileiros. A data ainda não está confirmada.
O prazo de um mês do grupo de trabalho criado para discutir as tarifas após a reunião entre Lula e Donald Trump na Casa Branca, em maio, termina neste domingo (7). Diante da nova proposta de tarifaço, porém, as equipes dos dois países seguirão em contato até 15 de julho, data prevista para o início da aplicação das tarifas caso não haja acordo.
