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Economia

Mesmo subindo 2,3% em janeiro, faturamento da indústria fica abaixo de 2025

A alta mensal não reverte queda anual de quase 10%

Conjuntura Online
09/03/26 às 16h43
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Trabalhador da indústria (Foto: José Paulo Lacerda/CNI)

Pressionada pelos juros altos e pela desaceleração da economia, a indústria de transformação brasileira faturou 2,3% a mais em janeiro de 2026 na comparação com dezembro de 2025.

Os números foram divulgados nesta segunda-feira (9) pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), que publicou a pesquisa Indicadores Industriais.

Apesar do avanço mensal, o resultado não foi suficiente para reverter o quadro negativo do setor. Na comparação com janeiro do ano passado, o faturamento registrou queda de 9,7%.

Outros indicadores da atividade industrial apresentaram comportamento semelhante. As horas trabalhadas na produção aumentaram 0,5% entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, mas continuam em trajetória de queda iniciada no segundo semestre do ano passado. Em relação a janeiro de 2025, o indicador recuou 2,6%.

O emprego na indústria de transformação também registrou leve recuperação no início do ano. O número de trabalhadores aumentou 0,5% em janeiro, interrompendo uma sequência de quatro meses consecutivos de retração. Mesmo assim, o nível de emprego permanece 0,2% abaixo do observado no mesmo mês de 2025.

A UCI (Utilização da Capacidade Instalada) permaneceu praticamente estável, com leve crescimento de 0,2 ponto percentual. O indicador passou de 77,4% em dezembro de 2025 para 77,6% em janeiro de 2026, nível ainda 1 ponto percentual inferior ao registrado em janeiro do ano passado.

Em nota, a especialista em Políticas e Indústria da CNI, Larissa Nocko, destacou que os fatores que levaram ao enfraquecimento da indústria ao longo de 2025, como os juros e o crescimento menor da demanda, continuam limitando a recuperação do setor.

“Os elementos que levaram ao desaquecimento da indústria de transformação em 2025 permanecem penalizando o setor, que são, sobretudo, os juros elevados, o alto custo do crédito e a desaceleração da demanda, além da forte entrada de bens de consumo importados”, afirma.

A entidade também avalia que a eventual redução da taxa básica de juros deve ter efeito limitado no curto prazo. No comunicado, a CNI informou que espera que o Copom (Comitê de Política Monetária) inicie o ciclo de corte dos juros na reunião deste mês.

“No entanto, o patamar da Selic ainda vai continuar bastante elevado, restringindo a atividade econômica, especialmente da indústria de transformação”, acrescentou Nocko na nota.

Massa salarial e rendiment

Entre os indicadores ligados ao mercado de trabalho, a massa salarial real da indústria avançou 1% em janeiro frente a dezembro, indicando início de recuperação após desempenho predominantemente negativo na segunda metade de 2025. Na comparação com janeiro do ano passado, houve alta de 0,4%.

No entanto, o rendimento médio real dos trabalhadores da indústria de transformação ficou praticamente estável na passagem de dezembro para janeiro, com leve variação negativa de 0,1%. Em relação a janeiro de 2025, o rendimento médio apresentou crescimento de 0,7%. (Com ABr)

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