Um dia após a ofensiva comercial lançada por Donald Trump, com tarifas em larga escala, as principais Bolsas do mundo operam em forte queda nesta quinta-feira, com os investidores cautelosos sobre as possíveis consequências na inflação e no crescimento das economias. O dólar está caindo mais de 1%.
Trump anunciou as chamadas tarifas recíprocas, em evento nos jardins da Casa Branca. Os produtos brasileiros serão taxados em 10% a partir de sábado.
Por volta de 9h40 (hora de Brasília), todas as principais bolsas europeias tinham baixas:
Londres: - 1,41%
Paris: - 2,64%
Frankfurt: 1 1,92%
Madri: - 1,40%
A União Europeia afirmou que as tarifas são um "golpe na economia mundial", mas afirmou que "ainda não é tarde demais" para negociações.
Na Ásia, as bolsas registraram fortes quedas, após o anúncio das chamadas ''tarifas recíprocas'' de Trump, que afetam especialmente os países deste continente. A Bolsa de Tóquio encerrou a sessão em queda expressiva de 2,77% e Shenzhen perdeu 1,40%. Nos últimos minutos da sessão, Hong Kong recuava 1,69%. Em contrapartida, Xangai perdeu apenas 0,24% e Seul cedeu 0,76%.
Na Ásia, a Bolsa de Tóquio encerrou a sessão em queda expressiva de 2,77% e Shenzhen perdeu 1,40%. Hong Kong fechou com recuo de 1,52%. Em contrapartida, Xangai perdeu apenas 0,24% e Seul cedeu 0,76%.
O presidente republicano impôs tarifas elevadas para várias economias da região, incluindo aliados importantes como Japão (24%), Coreia do Sul (25%) e Taiwan (32%). Para a Tailândia, o imposto será de 36%, enquanto para o Vietnã, um polo manufatureiro essencial na cadeia global, a taxa atingirá 46%. Um caso à parte é a China, onde uma tarifa de 34% será adicionada aos 20% já em vigor há semanas.
Em um longo discurso na noite de quarta-feira, o presidente dos EUA anunciou ainda tarifas para os produtos procedentes da União Europeia (20%) e da Suíça (31%), entre outros países.
A ofensiva protecionista da Casa Branca não tem precedentes desde a década de 1930 e também prevê uma tarifa adicional de 10% para todos os produtos que entram nos Estados Unidos, assim como aumentos para países que Trump considera particularmente hostis no plano comercial.
Os economistas do Deutsche Bank apontaram que "a taxa média das tarifas sobre as importações americanas poderá ficar entre 25 e 30%, o que corresponderia aos níveis do início do século XX".
Diante da mudança de paradigma inédita no comércio internacional em quase um século, o secretário americano do Tesouro, Scott Bessent, desaconselhou a adoção de represálias para evitar "uma escalada".
— Sentem, assimilem, vejamos como será. Porque se adotarem represálias, haverá uma escalada. Se não adotarem represálias, este é o ponto máximo — declarou Bessent.
— Teremos que observar o impacto das tarifas nas margens, no consumo, nas taxas e na inflação para julgar a profundidade do impacto na inflação e no crescimento. No momento, ainda há alguma incerteza — comentou Florian Ielpo, diretor de pesquisa macroeconômica na Lombard Odier IM.
— As estimativas históricas indicam um aumento da inflação de 3% a curto prazo, mas também um impacto negativo de -1,5% no crescimento mundial nos próximos 18 meses — destacou o economista.
Diante de tanta incerteza, os investidores optam por valores refúgio como o ouro, que nesta quinta-feira alcançou a cotação recorde de US$ 3.167,84 (R$ 17.927) a onça (31,1 gramas).
No mercado cambial, "o dólar americano caiu e registrou a menor cotação desde que Trump chegou à Casa Branca", destacou a analista Ipek Ozkardeskaya. Às 4h30 de Brasília, a divisa registrava o menor nível desde outubro, em queda de 0,85%, a US$ 1,0986 por euro.
No mercado de petróleo, o preço do barril de Brent, referência global, recuava 3,34%, a US$ 72,45, e o de seu equivalente americano, o Texas (WTI), caía 3,57%, a US$ 69,15. (Com O Globo)