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Senado dos EUA aprova sanções à Rússia por interferência eleitoral

Voto quase unânime ocorre durante inquéritos sobre ações de Moscou e possível conluio com campanha de Trump, e impede alívio a punições sem aval do Congresso

14/06/2017 - 17h06

Por O Globo

O presidente russo Vladimir Putin (Foto: AFP)

O Senado dos EUA aprovou nesta quarta-feira, por imensa maioria, a aplicação um pacote de sanções à Rússia pela interferência eleitoral nas eleições de 2016. A aprovação vem em meio a inquéritos separados sobre o papel de Moscou na campanha que elegeu Donald Trump à Presidência.


Por 97 a 2, os senadores votaram para aplicar punições financeiras aos russos por seus esforços de interferência nas eleições — principalmente com ações propagandistas falsas e ciberataques — e por "atos de agressão pelo mundo", como os ataques a civis na Síria e o apoio a rebeldes separatistas na Ucrânia. A medida é uma emenda parte da discussão de um projeto de lei que impõe punições ao Irã por causa de seu programa nuclear e de mísseis balísticos.


— O ataque descarado do presidente Vladimir Putin sobre a nossa democracia é uma demonstração flagrante de seu desdém e desrespeito pela nossa nação — disse o senador republicano John McCain, presidente da Comissão de Serviços Armados. — Nos últimos oito meses, qual o preço que a Rússia pagou por atacar a democracia americana?


A medida prevê o reforço das atuais sanções e a inclusão de outras a várias pessoas ligadas ao Kremlin, incluindo russos envolvidos em ciberataques "a serviço do governo", casos de corrupção, abusos aos direitos humanos e apoiadores financeiros do regime sírio de Bashar al-Assad. Novas sanções seriam aplicadas ainda aos setores de mineração, metais, náutica e ferroviário russos. Outro ponto relevante inclui o requerimento de aprovação do Congresso cada vez que um presidente decidisse aliviar ou enfraquecer as sanções atuais.


De acordo com senadores ouvidos sob anonimato, a ação foi tomada para "suprir uma ausência" de resposta mais contundente do presidente Donald Trump, que tem se recusado a tomar ações mais duras contra Moscou. Sua campanha é diretamente alvo dos inquéritos sobre interferências que correm no FBI e nas duas casas do Congresso — com investigadores tentando determinar se houve ou não algum tipo de conluio entre os dois lados para prejudicar a campanha da democrata Hillary Clinton.


— O Senado enfim confrontou a Rússia — afirmou a senadora democrata Jeanne Shaheen, membro das comissões de Serviços Armados e Relações Exteriores. — A emenda bipartidária é o regime de sanções que i Kremlin merece por suas ações.


Trump nega veementemente qualquer conluio com os russos. Seu secretário de Estado, Rex Tillerson, afirmou que os congressistas têm o direito de aplicar punições se julgarem importante (o Poder Executivo também tem este poder).


— Concordo com o sentimento de que a Rússia deva ser punida.


AUDIÊNCIAS COMPLICAM TRUMP


A aprovação do pacote de sanções veio um dia após a mais alta autoridade do governo Trump prestar depoimento no Senado sobre a influência russa nas eleições americanas. Ex-senador, o procurador-geral Jeff Sessions adotou uma postura evasiva ao defender-se diante dos ex-colegas, que ainda apuram a suposta tentativa do presidente de interferir nas investigações. 


Embora tenha dito que é vítima de uma “mentira detestável”, foi cauteloso nas respostas, a ponto de irritar alguns democratas, que chegaram a acusá-lo de tentar blindar Trump e, com isso, obstruir as investigações. Assim, seu depoimento não causou muitos danos ao presidente, mas também não ajudou a aliviar as pressões.


Em seu depoimento, Sessions adotou várias vezes o discurso de que não sabia, não falou, não se lembrava ou não comentaria grande parte dos pontos sobre os quais foi confrontado. Ao mesmo tempo em que buscava livrar sua pele — ele é acusado de ter mentido sobre encontros com autoridades russas e há suspeitas de outra reunião sigilosa ocultada pelo ex-senador — tentou proteger seu chefe, Trump, que criticou publicamente seu trabalho na semana passada, a ponto de, segundo fontes, ter feito Sessions ter colocado o cargo à disposição.


— Qualquer sugestão de que estive implicado (com os russos) é detestável e abominável — disse.

Ele foi muito categórico apenas em negar o grande questionamento e afirmou que não teve um terceiro encontro com russos no ano passado. Os senadores ainda lembravam de sua mentira: ao ser sabatinado para o cargo de procurador-geral, disse que não havia tido reunião alguma com russos. Mas, depois que foi revelado pela imprensa que havia se encontrado duas vezes com Sergey Kislyak, o embaixador russo, se esquivou:


— Eu não ocultei as reuniões que tive com Kislyak, apenas não falei sobre elas pois, naquele contexto (de análise dos ciberataques russos ao Partido Democrata) me perguntaram se eu mantinha reuniões regulares com russos, e meus encontros não tinham nada a ver com isso — justificou-se.


O depoimento de Sessions ocorreu menos de uma semana após a audiência do demitido ex-diretor do FBI, James Comey, que acusou o governo de tentar interferir nas investigações e de mentir. Em momento de pouca popularidade com Trump, Sessions, de 70 anos, e ex-senador pelo Alabama, tem uma vida marcada por polêmicas: chegou a ser recusado a um cargo de juiz federal por supostas ligações com grupos racistas, e defende uma atuação muito forte contra drogas e imigração.


As investigações continuam. No Congresso americano, já há quem queira convocar Jared Kushner — cunhado e um dos principais assessores do presidente — para depor, depois que foi acusado pela imprensa de ter sugerido a criação de um canal de comunicação sigiloso entre a campanha de Trump e Moscou. 


Outro que está no radar é Michael Flynn, que foi demitido por ocultar relações com russos e turcos. Assim, Trump, que na sexta-feira disse que estava “100% disposto” a prestar depoimento sob juramento, continua sob forte pressão.

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