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Relator da reforma política tenta blindar políticos investigados

Em MS, os ex-governadores André Puccinelli (PMDB) e Zeca do PT e o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) foram citados em delação do JBS

16/07/2017 - 09h44

De Brasília 

André Puccinelli é levado pela Polícia Federal (Foto: Divulgação )

O relator da reforma política na Câmara, deputado Vicente Cândido (PT-SP), articula incluir em seu parecer um dispositivo para impedir que candidatos sejam presos até oito meses antes das eleições. A informação foi publicada neste sábado (15) o jornal "O Estado de São Paulo".


As mudanças nas regras para as eleições estão sendo discutidas em três comissões da Câmara. Vicente Cândido é o relator em duas delas.


Atualmente a lei diz que 15 dias antes das eleições candidatos não poderão ser detidos ou presos, salvo o caso de flagrante delito. De acordo com o "Estadão", Vicente Cândido propõe dois novos artigos que mudariam a lei eleitoral e o código eleitoral.


O deputado incluiu no relatório a figura da "habilitação prévia de candidatura", estabelecendo que a habilitação deve ser feita entre 1º de fevereiro e 28 de fevereiro do ano da eleição. É esse o período que o político terá para solicitar o certificado à Justiça, que poderá concedê-lo até 30 de abril.


Segundo "Estado de São Paulo", o deputado admitiu que a ampliação desse prazo, se aprovada, beneficiaria o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, caso haja condenação do político em segunda instância.


Segundo o relator, a mudança “blindaria” não só Lula, mas outros políticos investigados por suspeita de atos ilícitos. Seria uma arma contra o que o parlamentar chama de "período de judicialização da política". 


Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, vários políticos estão sendo investigados, como são os casos dos ex-governadores André Puccinelli (PMDB) e Zeca do PT e  atual governador Reinaldo Azambuja (PSDB), citados em delação premiada do Grupo JBS. 


Procurado pelo G1, Vicente Cândido enviou uma fala por meio de sua assessoria de imprensa e confirmou que incluiu o dispositivo no parecer, com a concordância de membros da comissão. Ele ressaltou que não houve pedido do PT nem de Lula para a redação do artigo.


O deputado justificou que a medida visa evitar abusos. “Estamos vivendo um momento muito anormal no Brasil, de muita judicialização da política, de uma política muito policialesca”, avaliou.


A proposta gerou reação no Congresso. O senador Álvaro Dias (Pode-PR), criticou a tentativa de mudar o prazo para prisão de candidatos. Para ele, a medida é oportunista.


“Seria uma espécie de lei ‘ficha suja’, na contramão da Lei da Ficha Limpa. Nós estaríamos consagrando a defesa da corrupção e do corrupto através do parlamento. Seria uma desmoralização para o Congresso Nacional”, disse.


A comissão especial da reforma política tem reunião marcada para o dia 3 de agosto, logo depois do fim do recesso. Na reunião, o terceiro relatório parcial da reforma deve ser discutido e votado. Para que tenha validade já para as próximas eleições, em 2018, a nova regra tem que ser aprovada pelo Congresso até setembro.


Se aprovado, o dispositivo reduziria o prazo para que, caso o Tribunal Regional Federal da quarta região condene os investigados pela Operação Lava Jato, houvesse prisão.


Para o desembargador João Pedro Gebran Neto, relator da Lava Jato no tribunal, a condenação na turma já impediria as candidaturas.


“A legislação eleitoral torna uma pessoa inelegível assim que seja julgado na turma”, afirmou.


“Na turma é o suficiente. Em direito é muito difícil a gente falar em ‘é’. A gente sempre, tem de falar em ‘pode ser’. Porque nada impede que tenham incidentes dentro da Justiça Federal ou fora, lá na Justiça Eleitoral. Mas, em princípio, o que eu tenho que dizer é que o julgamento da turma é o suficiente para fins e consequências eleitorais", enfatizou.

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