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Capital: Câmara sem clima para oposição ao prefeito

17/02/2017 - 08h56

Manoel Afonso

‘CRIME E CASTIGO’ O livro do russo Fiódor  Dostoiévski é o mais lido na prisão que abriga o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB), com benefício a remição da pena. Mas o deputado federal Carlos Marun (PMDB) na visita ao seu ex- guru presenteou-o  ‘Ditadura Acabada’ do jornalista Élio Gaspari.  Cunha terá tempo para outras leituras.


MARUN   é hoje o deputado  de Mato Grosso do Sul mais conhecido na Câmara Federal, mas ao mesmo tempo colhe os desgastes pela sua proximidade e relações pessoais com o ex-deputado Eduardo Cunha.  Aliás, nos telejornais o fato é sempre realçado, o que poderá influenciar negativamente no eleitorado mais consciente.


DR. LOESTER  Em 2012 não se elegeu  e volta à Câmara da capital com 5.552 votos  (PMDB). Ao colunista justificou: “não é de hoje que atendo no consultório e na Santa Casa, além de encarar os plantões.” Estreou na Câmara em 1989 na eleição de Lúdio Coelho e foi deputado estadual por 3 mandatos. Discreto e sabido.


ANTONIO CRUZ Outro medico, volta à Câmara da capital onde iniciou em 1989 e foi deputado federal 3 vezes.  Obteve 3.380 votos. Em 2012 perdeu com 4.912 votos. Foi do PFL, PTB, PR, PMDB e está no PSDB. Junto com os vereadores médicos Wilson Sami (PMDB), Lívio (PSDB), Loester  e os enfermeiros Fritz (PSD) e Cida Amaral (PTN) atuarão no bloco da saúde.


VALDIR GOMES Lembra? Elegeu-se vereador pela primeira vez em 1989 junto com Lúdio Coelho e foi reeleito. Há 27anos portanto.  Indagado se o fato de integrar o PP irá pesar na sua postura, arrematou: “O meu compromisso é com o futuro. O passado é passado.”  Sinal de inteligência e independência.


ALEGRIA ALEGRIA São 18 estreantes na Câmara da capital e o clima de ansiedade  pontuará as primeiras sessões. Natural a sedução pela tribuna; massageia o ego. Depois  cada qual adotará o estilo e ritmo. Hoje não há clima para oposição ao Executivo.


INÉDITO e justificável.  Nunca se viu um prefeito iniciar diante de tantos problemas e em situação financeira tão ruim. Aí vale o bom senso de cada vereador para entender o quadro e não se precipitar com críticas. Não é hora disso. Devagar com o andor.


OS DISCURSOS  na sessão de abertura  caracterizaram-se na maioria pelo equilíbrio e convite à união dos esforços. Notei isso nas falas do prefeito Marcos Trad (PSD), da vice governadora Rose Modesto (PSDB), do presidente João Rocha (PSDB) e do líder do Executivo Chiquinho Teles (PSD). Discursos da construção.  


PREVISÃO  Pelo bate boca inoportuno registrado naquela sessão, entre os vereadores Ayrton Araújo (PT) e Vinicius Siqueira (DEM) é possível antever que a rivalidade deve se cristalizar ao longo do período. O democrata é mais articulado, fala bem e joga duro contra o PT.  Será interessante.


O ESTILO Políticos mudam, tiram a máscara, chegando ao poder, evitam o público ‘apressados’.  Observei o prefeito Marcos Trad  na Câmara Municipal: sua postura continua a mesma, afável e paciente com todos que o cercam, não fugindo ao abraço. Neste ritmo o rapaz vai longe.  


AVALIAÇÃO É preciso ter critérios para aferir os candidatos nas eleições. Merecem respeito, indistintamente. O enfermeiro Fritz (SD) por exemplo, se elegeu vereador na capital com 2.591 votos. Se um ônibus acomoda 50 pessoas sentadas, a votação daria para lotar quase 52 ônibus.  A comparação é a melhor, subsidia nossa imaginação.


‘SONHOS’  Nas eleições municipais principalmente, ouço declarações de pretensos candidatos à vereança, sob o argumento de que têm muitos amigos e parentes. Ledo engano: amigos e parentes  não chegam a 100 na maioria dos casos.  E onde buscar mais votos?  Daí minha admiração pelos heróis anônimos que se lançam nesta aventura.


‘BRINCADEIRA MEU!’  Quando nosso futebol engatinha, o Ministério Público Estadual  atrapalha proibindo a venda de cerveja nos estádios. Acertou o vereador Carlão (PSB)  ao criticar essa postura do órgão em busca de holofotes. Ora! Há coisas mais sérias para se cuidar e a cerveja foi liberada na Copa. Ficamos reféns do MPE?


EM ALTA  Lá na Casa Civil perguntei a um assessor sobre o prestígio do deputado Junior Mochi (PMDB) junto ao Governo. Sorrindo, disse que é bom, apontando para um calendário do deputado (em cima da mesa), com a foto do citado parlamentar e a frase: “a presença que faz a diferença – juntos, temos força e alegria para ir cada vez mais longe.”


O FACÃO  Se o presidente John Kennedy (USA) pregava que o “Governo não pode ter medo de tomar medidas impopulares”, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) não pode desviar deste caminho. Aliás, ele não esquece os conselhos de seu ‘guru’ Lúdio Coelho (PSDB) que defendia: ‘não gastar mais do que arrecada’.


RESPONSABILIDADE   O caso do Rio de Janeiro: a arrecadação prevista para 2017 dará pagar só 7 meses de salário. Não haverá dinheiro para mais nenhum outro setor do governo. Fruto da corrupção e gastos excessivos com funcionários  inclusive. Outro exemplo é o Rio Grande do Sul. Aqui o pessoal do contra precisa ter juízo.


COMPLICADO  Se o déficit anual de nosso Estado já atinge R$900 milhões, não há mais como protelar medidas drásticas, esperando talvez um milagre dos céus. Seria uma grande irresponsabilidade. Evidente que  Governo deve fazer sua parte dando bom exemplo de economia e gerenciamento nas reformas prestes a acontecer.


PEDRO CHAVES  A atuação do senador (PSC) na relatoria que tratou da Reforma do Ensino Médio  garantiu-lhe espaço positivo na mídia e melhorou seu cacife eleitoral para 2018.  Seu desempenho arrancou elogios de personalidades que conhecem a área do ensino, como o senador  Cristovam Buarque.  Pelo visto, Chaves não está apenas de passagem pelo Senado. A concorrência que se cuide pelas duas vagas disponíveis.


“O passado é passado. O meu compromisso é com o futuro”. (vereador Valdir Gomes)

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