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Ayache, Odilon e Pedro Chaves: os sobreviventes

09/06/2017 - 18h19

Manoel Afonso

OS ESTRAGOS eleitorais por aqui não distinguiram partidos e  lideranças. É bom saber:  um mês antes de estourar o caso da delação de Joesley Batista, a Polícia Federal já havia remetido à Justiça Federal planilhas da JBS sobre o pagamento de propinas no valor de R$34 milhões endereçados a políticos e ao PMDB local.


DETALHES Os documentos foram apreendidos pela Polícia Federal na ‘Operação Lama Asfáltica’. Mas ainda em 2016, a mesma PF apreendeu na casa de um secretário adjunto da Fazenda Estadual, planilhas com datas, nomes, valores e cópias de três acordos de incentivos fiscais da JBS e Governo Estadual.


AUDITORIA das planilhas mostrou; os benefícios tributários obtidos pela JBS  correspondiam exatamente aos valores anotados como pagamentos à proporção de 20%; R$ 5 milhões ao PMDB, R$9,2 milhões para uma empreiteira e R$ 2 milhões à uma gráfica, entre outros. Joesley foi categórico: “começou na época do governador e atual deputado Zeca do PT”.


VERDADE? Valdir Boni, delator no acordo fechado com a Procuradoria Geral da República,  diz que a JBS pagou R$150 milhões como remuneração pelos decretos, tanto na gestão de Puccinelli  (PMDB) quanto na do atual governador Reinaldo Azambuja (PSDB).


AS REAÇÕES  dos políticos locais não podiam ser diferentes, como aliás, tem sido nos casos de todos personagens envolvidos na ‘Lava Jato’. Destaco a iniciativa do governador Reinaldo em pedir ao Supremo Tribunal Federal a anulação da delação premiada e que o ministro Fachin não seja o relator da ação aberta. Não há prazo para a decisão do ministro Celso de Melo.


MAIS FOGO!  Além disso, o caso daquela gravação mostrada no ‘Fantástico’ acabou por estremecer ainda mais os pilares do Governo Estadual.  Tanto que o ex-deputado  Paulo Duarte tem grandes chances de ser convidado para o cargo de Secretário da Fazenda, pois  é do quadro e tem bom transito.


A NOTÍCIA é do conhecimento público e teria gerado prejuízos aos cofres públicos. Daí que a intervenção do Ministério Público Estadual  deve se fazer presente, mostrando sua  independência. O órgão é diferente da Assembleia Legislativa, uma casa que se pauta pela conveniência política.


NOTAS FISCAIS  Como estão as investigações para se saber se os emitentes tinham  lastro para tais emissões? A Polícia Rodoviária Federal comprovaria que os ‘caminhões fantasmas’ dos tais bois não teriam sido detectados nos radares das rodovias que demandam às fazendas citadas. Saíram de helicóptero?


NOS PORÕES do poder há muita sujeira. A delação da JBS mostrou  os‘operadores’ das mutretas: Ivanildo da Cunha Miranda, João Baird e André Luiz Cance.  Aliás, Ivanildo também  participou do comitê de arrecadação na campanha eleitoral de Reinaldo ao governo. Alguma dúvida?


OS DEPUTADOS  estaduais  fingem não ler os jornais ou que não frequentam a mídia. Não tratam das denúncias como deviam pelas implicações partidárias. Mas o que não se pode é desprezar a inteligência da população, indignada e sofrendo as consequências da corrupção generalizada.  


AGRAVANTE  Enquanto se discute a pesca do dourado na Assembleia Legislativa as manifestações por aumento salarial vão aparecendo. Cansados de tentar uma negociação através do poder legislativo, os policiais civis   acenam com greve. O acampamento em frente a governadoria  prova isso.


E AGORA?  Por motivos óbvios  há  mais dúvida do que certeza quanto aos resultados da Comissão Parlamentar de Inquérito criada para investigar as denúncias de corrupção  no Governo Estadual  entre  2010 e 2017. Os 5 deputados  terão até 180 dias para apresentar sua conclusão. CPI ; sabe-se apenas como começa. O final é incerto.  


A TRADIÇÃO  leva-nos a acreditar que o tempo acabará por minimizar a importância desta comissão. O presidente  dela, deputado Paulo Correa (PR), não foi beneficiado por doações da JBS, mas foi flagrado ensinando um colega a fraudar a lista de presença de funcionários.  Convenhamos: um péssimo precedente.


CENÁRIO  Pelo que ouço nas ruas, a classe política pode se preparar para uma reação sem precedentes  em 2018.  A opinião pública que já se sentia indignada com os escândalos a nível nacional, está simplesmente enfurecida com os escândalos revelados  ultimamente aqui no Estado.


FIGURAS  públicas atingidas pelas denúncias – comprovadas ou não – passaram a ser estigmatizadas no imaginário popular. Injustiças à parte, está aberto um grande espaço para novos pretendentes a vida pública, sem vícios e com propostas confiáveis. O povo está  enojado com tamanha corrupção.


EVIDENTE  que é difícil encontrar  cidadãos competentes da iniciativa privada  disposto a assumir tamanho risco de desgaste num embate eleitoral. O mau cheio que exala  do fosso político espanta qualquer mortal.  Mas a mídia tem que acreditar  que outros bons nomes surjam.


NOMES  Menos pelas pesquisas, mais pelo que ouço por aí, vão ganhando manifestações  crescentes de simpatia o senador Pedro Chaves, o médico Ricardo Ayasche (Cassems) e o Juiz Federal Odilon de Oliveira que ensaia aposentadoria do cargo.  Lembro: teremos duas vagas ao Senado e a Governador.


O SENADOR  Pedro Chaves (PSC) é professor que se transformou em empresário da educação por méritos pessoais indiscutíveis. Em pouco tempo de mandato tem conseguido se destacar nacionalmente como mostra a mídia. Sua experiência de vida e sua visão moderna de administração se entrelaçam.


O MÉDICO  Ricardo Ayasche (PSB) revelou-se um bom administrador no comando da Cassems. Sua incursão inicial na política como candidato  suplente do senador Delcídio do Amaral deu-lhe maior visão do cenário político.  Tem evitado manifestar-se mas há sinais de que poderia aceitar o desafio.


DR. ODILON  Claro! Sua função jurisdicional não lhe permite agradar a todos.. Mas seu estilo e formação manifestados ao longo da sua carreira o habilitam a ingressar na política pela porta da frente.  Quando se discute tanto direito e justiça, ele seria um bom paladino no Senado, por exemplo.  


“TALVEZ”   Sobre sua eventual candidatura à Assembleia Legislativa em 2018, o presidente da Assomassul, Pedro Arlei Caravina (PSDB), prefeito de Bataguassu, confessou  que o atual  cenário turbulento não permite projetos a longo prazo. É claro, tudo dependerá dos  ventos que estiveram soprando na época. Ajuizado ele!


“Eu prefiro o anonimato. Um juiz dedicado aos seus processos que não tem nenhum glamour”. ( Des. Herman Benjamin - TSE)

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